XI CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS

01 a 04 de setembro de 2020

Conheça nossOS áreas e SIMPÓSIOS TEMÁTICOS

As áreas e os simpósios temáticos fornecem ao participante as linhas de pesquisas mais importantes e inovadoras da área!

Estudos de literatura e cultura

Coordenadores: Wagner Monteiro Pereira (Universidade Federal do Pará), Andréa Cesco (Universidade Federal de Santa Catarina)

A literatura espanhola dos séculos XVI e XVII, também denominados Século de Ouro, é o objeto de estudo de diversos grupos de pesquisa no Brasil. Entre eles, muitos se detêm na problemática implicada na tradução de textos literários desse período, como o Núcleo Quevedo (UFSC) e o grupo Estudos e Traduções de Teatro Espanhol (UFRJ). A complexidade do fazer tradutório não é novidade. Já no Século XVI, Frei Luis de León e Juan Luis Vives sinalizavam-se partidários de uma tradução literal, o que se enquadra no éthos quinhentista espanhol, que teve como base a Doctrina de la Imitatio auctoris, marcada pelos ideais de imitação a autores clássicos para alcançar a “perfeição” poética. Em outras palavras, a tese central era a de que nada maior que Homero e Virgílio – entre outros clássicos – o que fazia com que tentar superá-los fosse inútil e se mostrasse soberbo e bárbaro ao mesmo tempo. Como destaca John Milton (2010), na Renascença, o tradutor era visto de forma inferior – até mesmo como um simples servo – ao autor da obra original, ao ponto de Lope de Vega alcunhar os tradutores como “contrabandistas de cavalos”. É apenas no século XX que surgem teorias que pensam a tradução de forma menos empírica e em relação com diferentes áreas. Nesse sentido, tem papel fundamental o texto de Walter Benjamin, A tarefa do tradutor (2008), cuja ideia central é a de que na tradução de uma obra poética deve-se privilegiar a forma significante em detrimento da simples transmissão do conteúdo da língua original para a traduzida. O texto de Walter Benjamin funcionou como um ponto de partida para diversas discussões sobre a prática tradutória no século XX. Haroldo de Campos, em Da transcriação: poética e semiótica da operação tradutora (2011), atentou para a complexidade que uma tradução poética implica e relaciona a língua pura de Benjamin com um lugar semiótico da poesia. Tal dificuldade fez com que linguistas como Roman Jakobson (1975) verificassem a impossibilidade de uma dominação total e absoluta sobre essa linguagem poética, o que acarretaria a impossibilidade de sua tradução. Só restaria ao “tradutor” seu papel de levar a cabo uma transposição criativa, que se metamorfosearia, na teoria de Haroldo, naquilo que o teórico denomina “transcriação”. Na direção oposta de se propor uma arqueologia, dever-se-á incluir um novo poema em um novo tempo e espaço, para alcançar o que Eugene Nida e Charles Taber (1970) denominam tradução por equivalência dinâmica, muito mais focada nos efeitos do texto traduzido e adaptada ao novo leitor no âmbito de sua comunidade linguística. Paulo Henriques Britto, em A tradução literária (2012), afirma que um texto considerado difícil e estranho em sua cultura de origem deve ser traduzido no sentido de provocar as mesmas reações de estranhamento nos leitores da cultura de chegada, pois, para ele, quando traduzimos textos poéticos devemos, sem dúvida, considerar muito mais o som do que o sentido, e ainda o número de sílabas, seus acentos, a posição de vogais e consoantes nas palavras, e até mesmo a aparência do texto (como os versos são construídos quanto à forma), pois são estes elementos que produzem o tão almejado efeito estético; não se traduz apenas o significado, traduz-se o próprio signo, sua iconicidade. Tal ideia também se alinha à óptica derridiana de sobrevida do texto poético, que dialeticamente o considera traduzível e intraduzível. Em síntese, para Derrida (2005, p. 105), o texto traduzido surge como uma espécie de revenant, um espectro localizado dentro de um “aqui-e-agora”, um novo éthos que confirma dois pontos cruciais na visão do filósofo francês: a alteridade – “tout autre est tout autre” e a liberdade criadora que efetiva o caráter inventivo do poeta-tradutor. A tradução deve ser considerada a partir de suas múltiplas formas e interligações. Significa olhar não mais para aquele lugar que está apenas entre dois polos, mas sim para caminhos da diferença, do divergente, do desviante. Em diálogo com a língua pura de Benjamin (2008), Derrida afirma que o tradutor busca tocar o intocável, mas tal estado de perfeição acaba por nunca ser alcançado. Isto posto, a literatura barroca apresenta uma dificuldade ainda maior por apresentar uma linguagem múltipla, sintetizada pela ideia de “dobra”, de Deleuze (2005). Portanto, esse simpósio pretende estabelecer diálogos entre pesquisadores cujo objeto de pesquisa é a literatura do Século de Ouro espanhol e a relação que esta mantém com o fazer tradutório. São pertinentes tanto trabalhos teóricos sobre teoria da tradução, como exemplos práticos de traduções de textos espanhóis dos séculos XVI e XVII.

Palavra-chaves: literatura, Século de Ouro espanhol, tradução,

Coordenadores: Pablo Fernando Gasparini (Universidade de São Paulo (USP), Debora Duarte dos Santos (Universidade Estadual de Santa Cruz)

As enfermidades não são somente patologias físicas e/ou mentais, mas também construções sócio-discursivas, portadoras de significados histórico-culturais específicos. Muitas manifestações artístico-literárias inscrevem na sua estrutura a enfermidade no qual o corpo-sujeito doente passa a poder ser objeto de controle disciplinário e/ou um locus de diferença, que se opõe ou se desvia do corpo ideal construído por discursos e práticas normalizadoras, e desestabiliza as lógicas de produção e de sentido considerados saudáveis. Interessa-nos propostas que reflitam sobre diferentes formas, paradigmas e significados de expressar doenças em manifestações artísticas hispânicas desde as mais diversas perspectivas teórico-metodológicas que sejam frutíferas para pensar a interseção arte-literatura e doença.

Palavra-chaves: corpo, corporalidade, doença, enfermidade

Coordenadores: Wanderlan Alves (Universidade Estadual da Paraíba), Rafael Gutiérrez (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

A profusão de discursos e conceitos teóricos e críticos no campo literário e cultural latino-americano, neste início de século XXI, não só chegou a imprimir ares de novidade ao discurso da crítica, mas também recolocou em discussão o próprio lugar ocupado pelo latino-americanismo no mundo, atualmente. Pós-autonomia (Ludmer), estéticas inespecíficas (Garramuño), estética da emergência e estéticas de laboratório (Laddaga), romance latino-americano global (Hoyos), escrituras corais (Sussekind), literaturas colindantes (Garza), arte e agenciamentos civis (Sommer), entre outros, são conceitos que vêm se incorporando à disputa global por hegemonia na produção de discursos sobre o literário, espaço historicamente dominado por outras cartografias (França, Inglaterra, Estados Unidos). Por sua vez, tal movimentação também se relaciona ao estado da literatura e das artes contemporâneas, marcado pela pulverização das categorias classificatórias, por operações de desinscrição e desclassificação, por certa atopologia, elementos que levam a uma reconfiguração das retóricas de valor acerca do objeto estético. Por um lado, esse processo coloca a crítica latino-americana numa relação mais horizontal com teorias estrangeiras, mas, por outro lado, acaba, por vezes, minimizando o papel diacrônico do pensamento latino-americano nessa dinâmica, na medida em que, apresentando-se com roupagem de discursos novos, obscurece a história de porosidades que lhe é constitutiva (Walter Mignolo, Grinor Rojo, Abril Trigo, Roberto Schwarz, García Canclini, Ángel Rama, Gutiérrez Girardot, Antonio Candido, Cornejo Polar, Noe Jítrik, Susana Zanetti, etc.). Deste modo, a crítica contemporânea mostra-se bifronte, visto que tanto reivindica uma aproximação das dinâmicas globais para o literário quanto se (re)abre às possibilidades ensaísticas, experimentais e autobiográficas para o discurso intelectual, aquilo que o crítico argentino Jorge Panesi (2018) definiria como “a sedução dos relatos”, o que também projeta, por vezes, defesas de um retorno ao rigor conceitual e textual por meio de instrumentos de análise “cujo rigor da sofisticação se tornaram incômodos para nós mesmos” (CATELLI, 2019, p. 152). Nesse contexto poroso e prolífico, este simpósio propõe o debate sobre a teoria e a crítica literárias e culturais contemporâneas, com especial interesse por trabalhos dispostos a analisar suas dinâmicas e disputas, suas configurações linguísticas e escriturais, seus movimentos de dispersão e irradiação, assim como suas inscrições políticas na América Latina.

Palavra-chaves: teoria literária, crítica literária, literatura contemporânea, pensamento latino-americano

Coordenadores: Raquel da Silva Ortega (Universidade Estadual de Santa Cruz), Adriana Ortega Clímaco (Instituto Federal de São Paulo/Jacareí)

O objetivo deste simpósio é refletir sobre o ensino das literaturas hispânicas na universidade e seu papel na formação do professor de espanhol. Nos últimos anos, é possível observar a ausência das literaturas hispânicas nas aulas de língua espanhola. Defendemos que as literaturas hispânicas devem estar presentes na escola, já que, se entendemos que o ensino da língua estrangeira deve privilegiar uma abordagem intercultural, de conhecimento de si e do outro, a literatura não pode ser excluída, posto que literatura e cultura não estão desassociadas. Sobre esta problemática, é comum que professores de espanhol da educação básica justifiquem que têm dificuldade de incorporar as literaturas hispânicas às suas aulas porque não receberam uma formação consistente durante a graduação. De fato, existe uma dificuldade latente na transposição didática dos conteúdos de literatura ensinados na graduação para a docência na educação básica. Isto ocorre, estre outros fatores, pelo fato de que os cursos de formação de professores enfatizam a formação linguística e didática do futuro professor de espanhol, mas negligencia a formação didática para o ensino de literatura, apesar das literaturas hispânicas estarem presente como conteúdo programático. Com isso, os cursos de Letras/Espanhol formam excelentes pesquisadores de literatura, mas não estão formando professores habilitados a mediar os conhecimentos de literatura aprendidos na universidade. Neste sentido, acreditamos que a discussão sobre o ensino de literaturas hispânicas na universidade é necessária e urgente. Almejamos receber, no simpósio, pesquisas, reflexões, relatos de experiência e propostas didáticas de professores das literaturas dos cursos de Letras/Espanhol, de maneira a promover o encontro entre professores e o diálogo entre diferentes experiências e perspectivas sobre o ensino das literaturas hispânicas no ensino superior.

Palavra-chaves: Literaturas Hispânicas, Ensino, Formação de professores,

Coordenadores: Ana Cecilia Olmos (Univeridade de São Paulo- USP), Elena Palmero González (ersidade Federal do Rio de Janeiro- UFRJ)

Esse simpósio propõe abrir um espaço de debate em torno a uma atualização de temas de história da literatura hispano-americana. Por atualização entendemos a adoção de perspectivas que, abandonando a linearidade cronológica e a ideia de unidade da cultura, façam cortes que permitam múltiplas recomposições do quadro historiográfico, substituindo a lógica da unidade (de origem, de localização, de língua) por outras lógicas alternativas, capazes de ampliar nosso horizonte do comunitário. Apostamos na necessidade de trabalhar em função de uma perspectiva da história da literatura de base relacional, que dinamize nossas formas de pensar o que hoje chamamos comunidade literária hispano-americana. Serão aceitas propostas que dialoguem com interrogantes como as que apresentamos a seguir: Como assumir o estudo da cultura e da literatura no âmbito das novas formas de pertencimento comunitário que comparecem na contemporaneidade, considerando, inclusive, a transformação da própria ideia de comunidade que se opera nas últimas décadas? O que ocorre quando a variável nacional, de grande tradição crítica, se apresenta como uma variável em crise, atualmente afetada pelos movimentos migratórios, pelo intercâmbio de signos, símbolos e valores que fluem nas redes sociais, pelos processos de mundialização da cultura e pelo próprio esgotamento de um modelo crítico e historiográfico que articulava literatura, língua e território nacional de maneira linear e contínua? Como pensar formas literárias que se produzem além dos códigos tradicionais da representação? Como pensar os diálogos translocais, transmediais, transgêneros e de transárea que hoje dinamizam a cultura? A ideia é mobilizar uma reflexão em torno da literatura hispano-americana atenta a suas múltiplas germinações, suas heterogêneas formas de ser, seu contato com outras culturas, outras linguagens e outros médios, isto é, uma reflexão atenta às instâncias em que o modelo de representação, que motivou o pensamento moderno, deixa de ser paradigma estável para pensar o hispano-americano.

Palavra-chaves: Literatura Hispano-americana, História da Literatura, Comunidade Literária ,

Coordenadores: Dayenny Miranda (IFRJ), Ximena A. Díaz Merino (UFRRJ)

A colonialidade epistemológica perpetuada pela produção de conhecimento a partir de uma matriz ocidental universalizante faz com que América Latina permaneça numa posição subalterna no que se refere à produção geopolítica de conhecimento. Trata-se de uma estrutura de poder fundamentada na relação entre europeus e não-europeus que deve ser subvertida a partir do intercâmbio de saberes com base na desconstrução de essencialismos, posto que “Não é tanto a condição histórica pós-colonial que deve reter nossa atenção, mas os loci pós-coloniais de enunciação como formação discursiva emergente e como forma de articulação da racionalidade subalterna [...] entendida como um conjunto diverso de práticas teóricas emergindo dos e respondendo aos legados coloniais.” (MIGNOLO, 2003, p. 139). Dentro desse contexto o pensamento decolonial configura um movimento de resistência epistemológica à lógica da modernidade/colonialidade, posto que pensar realidades paralelas às categorias hegemônicas configura uma atitude crítica, não para denunciar o que o discurso colonial ocultou, mas, sim, para apresentar outra lógica “pensar a partir de conceitos dicotômicos ao invés de organizar o mundo em dicotomias.” (MIGNOLO, 2003, p. 126). Por tanto, as dinâmicas de (re) apropriação e transformação no tempo das práticas culturais demandam novas concepções de cultura e de patrimônio uma vez que os bens materiais e imateriais que compreendem o patrimônio cultural são "manifestações ou testemunho significativo da cultura humana" (GONZALES-VARAS, 2003. p.44) considerados imprescindíveis para a construção da identidade cultural de um povo, pois, como afirma Rocha (2012) a preservação do patrimônio cultural está vinculado à formação identitária do povo, tendo a capacidade de estimular a memória individual e coletiva e de estabelecer ligações entre o indivíduo e suas raízes, o que favorece a sua construção como ser social. Dentro desse contexto, a Literatura escrita nas zonas de contacto (PRATT, 2010) constitui uma voz possível para manifestar críticas sociais, descontentamento ou apoio a regimes político-econômicos excludentes e autoritários, saberes locais, paisagens ambientais e citadinas. Considerando o exposto,propomos uma reflexão sobre a construção do conhecimento que valorize a ressonância social das políticas e ações sobre patrimônio para a conformação da identidade, da memória e dos saberes das comunidades latino-americanas.

Palavra-chaves: Patrimônio, Identidade, Memória, Decolonialidade

Coordenadores: Juan Ignacio Jurado Centurión (UFPB), Luciano José Vianna e Juan Pablo Martín Rodrigues (UPE (Petrolina)/UFPE)

Una de las principales preocupaciones de los estudios literarios que tienen como foco principal el periodo medieval es cómo abordar estos documentos desde una perspectiva literaria y no inscribirlos exclusivamente dentro del marco de las reflexiones realizadas por historiadores. Esa preocupación se encuentra en las base de lo que, desde las últimas décadas del siglo pasado, se ha ido configurado como el “Nuevo medievalismo” Esta corriente de pensamiento intenta, como observa Jaume Aurrel (2006), una aproximación de carácter interdisciplinar que nos permita una exegesis racional y objetiva del pasado escondido en las entrelineas de estas crónicas. Textualidades que pasan ahora a revelarse como textos cargados de significaciones y no tan solo como simples fuentes neutras asociadas a una intención definida o a una ideología concreta. neutros. Esta novedosa hermenéutica nos permitirá un acercamiento bien más prolífico de interpretaciones a la hora de intentar desvelar lo que fue la Edad Media, y a través de su representación, hacerla presente para las futuras generaciones. Este simposio pretende, dentro del marco de la singularidad propuesta por el Nuevo Medievalismo, una aproximación a las crónicas medievales y las redactadas en suelo americano en las primeras décadas del periodo colonial, ya sea desde la perspectiva del análisis crítico de estos textos o desde la reflexión teórica que tenga como foco central esta línea de investigación y sus posibles incorporaciones dentro del campo de los estudios hispánicos en Brasil.

Palavra-chaves: Medievalismo, Nuevo Medievalismo, Crónicas Medievales, Crónicas de Índias

Coordenadores: Carla Dameane Pereira de Souza (Universidade Federal da Bahia (UFBA), Romulo Monte Alto (Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Durante o VIII Congresso Brasileiro de Hispanistas docentes pesquisadores da área de Literaturas hispânicas estavam reunidos no Grupo de Discussão Estudos Andinos: Literaturas, traduções e práticas culturais. Durante o encontro consolidou-se o desejo dos pesquisadores presentes de fundar um grupo de trabalho nacional de pesquisadores de estudos andinos no Brasil e assim foi criada a Rede de Estudos Andinos, hoje grupo de pesquisa registrado junto ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - Cnpq. A fim de dar continuidade aos trabalhos da Rede, em contextos propícios ao encontro de pesquisadores que se dedicam a esse tema de estudos, viemos propor este Simpósio Temático, cujo objetivo é abrir a discussão para propostas que reflitam sobre as produções literárias e culturais da área andina e amazônica, marcadas pela memória da violência, da migração e da transformação de suas identidades a partir do contato com outras. Entre os tópicos de discussão de interesse do grupo estão: o que se entende por literaturas e culturas andinas; a interdisciplinaridade como metodologia de pesquisa dos estudos andinos; como a literatura e as produções culturais assim denominadas aparecem como temas de reflexão nas obras de reconhecidos críticos literários latino-americanos e de que modo essas reflexões podem estar relacionadas com estudos da crítica literária brasileira. Neste Simpósio também pretende-se discutir sobre perspectivas da tradução como processo que dá lugar à diferença e à construção de sentidos e conhecimentos em relação à cultura do outro e sobre os conflitos interculturais decorrentes do processo de colonização, além das relações entre a memória histórica e coletiva, destacando-se aí alguns acontecimentos do passado pré-hispânico, colonial e republicano dos países que se localizam na área andina: o noroeste da Argentina, a Bolívia, o Chile, a Colômbia, o Equador e o Peru. Pretende-se criar um espaço para o debate sobre poéticas afroindoamericanas, produzidas nesta região, considerando os episódios recentes relacionados com os regimes ditatoriais, conflitos políticos e bélicos e com a luta e defesa pela democracia vividos por esses países, de modo a articular o passado e o presente com temáticas transversais como a dos Direitos Humanos. Interessa-nos refletir sobre a arte e a literatura produzida em situações e contextos posteriores à violência política, chamando atenção para as várias categorias midiáticas do gênero testemunho – literário, visual, plástico, teatral, performático, musical, cinematográfico ou televisivo – através dos quais os valores culturais da andinidade estejam relacionados ao contato com distintas culturas, à exposição das subjetividades e a produções de conhecimentos.

Palavra-chaves: Literaturas andinas, Tradução, Interdisciplinaridade, Memória

Ensino de línguas

Coordenadores: Miguel Mateo Ruiz (Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Aline Fonseca de Oliveira (Universidade de Brasília (UnB)

En esta sesión pretendemos abordar distintos aspectos de la oralidad en la enseñanza y aprendizaje del español como lengua adicional, con atención preferente a la pronunciación, tanto a la segmental (sonidos) como a la suprasegmental (entonación, prosodia, ritmo del habla). Nos interesan, fundamentalmente, temas como los siguientes: (1) la discusión de nuevas orientaciones y consideraciones metodológicas (Cantero 2019), de forma específica el uso de las técnicas de análisis fonético, en particular el acústico y el perceptivo, en la adquisición (y enseñanza/aprendizaje) de la pronunciación; (2) desde esta mirada amplia al mundo de la oralidad y desde el deseo de quebrar “ese miedo a hablar” del que, con frecuencia, nos hablan nuestros alumnos, como cuando llegan a nuestras facultades, queremos prestar atención a propuestas diversas sobre Didáctica de la expresión oral en lenguas extranjeras, con trabajos como los de Devís-Herraiz; Cantero Serena y Fonseca de Olivera (2017), Cantero Serena y Giralt Lorenz (Coords.) (2019), entre otros, o al “redescubrimiento” del uso del teatro en la enseñanza/aprendizaje de lenguas extranjeras (Orta, 2009; Vera, 2012; Pellitero, 2019) o los usos actuales del “cuentacuentos” con este mismo propósito de trabajar, sobre todo, la oralidad (Printer, 2015; Ramírez, 2018; Rodrígues Souza e Miranda, 2016); (3) técnicas cualitativas (y cuantitativas) de evaluación de la pronunciación; y (4) su aplicación en diferentes entornos educativos, con especial atención al contexto brasileño.

Palavra-chaves: Oralidad, Didáctica Español/L.Adicional, Pronunciación, Fonética aplicada
Coordenadores: Lívia Márcia Tiba Rádis Baptista (Universidade Federal da Bahia (UFBA), Valdiney da Costa Lobo (Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)

Neste simpósio, propomos responder à questão “o que significa pensar e fazer pesquisa de outro modo, no âmbito do hispanismo brasileiro na contemporaneidade?” Para tanto, pretendemos traçar um panorama de epistemes e quadros analíticos que possam ser mobilizados para compreender como a produção de conhecimentos outros (ARROYO, 2009) no campo do hispanismo brasileiro enfrenta questões que envolvem políticas identitárias, educação, linguagem e decolonialidade no momento de tensão vivido atualmente na sociedade brasileira. Assim, problematizamos o modo de produzir, gerir e legitimar conhecimentos bem como experienciá-los no contexto da modernidade/colonialidade (MALDONADO TORRES 2007; GÓMEZ QUINTERO, 2010; GROSFOGUEL, 2006 e CASTRO GÓMEZ, 2007) e, desse modo, a partir de uma perspectiva crítica e decolonial (ARGÜELLO PARRA, 2015), buscamos vias e estratégias de enfrentamento da lógica da episteme racional ocidental, sobretudo, por meio das coordenadas traçadas por um “paradigma-outro de pensamento (MIGNOLO, 2003, p. 20) no contexto de colonialidade global. Esperamos contribuir para instaurar um debate em torno das possibilidades epistêmicas outras, entre as quais se encontra a perspectiva citada e reafirmar a busca por uma pesquisa mais comprometida ética e historicamente com o cenário latino-americano, intensificando o diálogo com diferentes participantes para ampliar nossas perspectivas de construção de saberes por meio da discussão das investigações e ações realizadas, reafirmando esse locus enunciativo, qual seja, o de hispanistas brasileiros e brasileiras interessados pela problemática das práticas de linguagem em cenários superdiversos tais como os que compreendem os espaços de enunciação fronteiriços (STURZA, 2010), transnacionais e superdiversos (caso dos cenários de migração/diáspora); a colonialidade da linguagem (VERONELLI, 2016) e seus efeitos, sobretudo, no que se refere ao silenciamento de outras línguas, bem como os processos de racialização e seus efeitos nas práticas de linguagem; as políticas identitárias e seus efeitos na educação no contexto contemporâneo; a centralidade da linguagem e da educação para a redefinição de letramentos de reexistência (SOUZA, 2011) e do enfrentamento das práticas hegemônicas e sua relação com a produção de conhecimentos diversos; os diferentes hibridismos e formas de hibridização (da linguagem, da cultura) e suas implicações para a educação linguística, entre outros temas afinados com a proposta ora apresentada.

Palavra-chaves: Decolonialidade, Letramentos de reexistência, Hispanismo, Educação linguística

Coordenadores: Hugo Jesús Correa Retamar (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Cristina Corral Esteve (Universidade Federal de Pernambuco)

Este simposio tiene por objetivo reflexionar sobre el proceso de enseñanza-aprendizaje de español en Brasil y proponer nuevos caminos que alejen la clase de lengua española de lo que Retamar (2018) llama pautas reductoras para la enseñanza de español en Brasil, es decir: 1) el español es una lengua fácil; 2) enseñar español es enseñar gramática; 3) existen solo dos variedades de español, la de España y la de Latinoamérica, como si fueran dos grandes bloques. Para ello, nuestra propuesta pretende reunir a investigadores preocupados por el proceso de enseñanza-aprendizaje del español, tanto desde la perspectiva de la formación de profesores como de la actuación en la educación básica u otros espacios, que entiendan las lenguas como práctica social (CAZDEN, 1991; SCHLATTER; GARCEZ, 2012; CLARK, 2000, entre otros). Partiendo de esa idea base, enseñar español no significa únicamente enseñar léxico y estructura, sino que también es ampliar los contextos de participación de los estudiantes, puesto que comprendemos la lengua como una parte constituyente de la vida humana. Como tal, su papel es el de crear, comunicar e interpretar significados; además de ser un medio por el que creamos, representamos, transmitimos e interpretamos las culturas, y un medio por el que se constituyen los procesos de enseñanza-aprendizaje (DERVIN; LIDDICOAT, 2013). Así, la clase de lengua española pasa a ser un espacio para la reflexión y la discusión sobre el mundo social en el proceso de construcción de conocimiento conjunto sobre lengua española y sobre el mundo. Por lo tanto, tendrán cabida en este simposio trabajos con base en distintos aportes teórico-práctico-metodológicos que tengan en cuenta la dimensión social de la enseñanza de lenguas, como: el análisis del habla-en-interacción, la pragmática sociocultural, la pragmática sociocognitiva, la enseñanza crítica de lenguas, la interculturalidad crítica, o la educación lingüística, entre otros.

Palavra-chaves: interacción, enseñanza-aprendizaje, lengua española, interculturalidad

Coordenadores: Juliana Cristina Faggion Bergmann (UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina), Mara Gonzalez Bezerra (UNIASSELVI)

A aproximação entre a formação inicial, na universidade, e a práxis de sala de aula, na escola de ensino básico, é uma necessidade sentida pelos futuros professores de língua espanhola durante toda a sua formação. O estabelecimento de um intenso diálogo entre teoria e prática é incentivado, em especial, no momento do estágio supervisionado, em um processo em que somos levados a refletir e discutir novos formatos metodológicos no ensino, tentando compreender como o repensar e redefinir práticas pedagógicas atua na aprendizagem de nossos alunos e na nossa constituição como professores reflexivos. Uma das formas de experimentar novos formatos metodológicos acontece através da criação de atividades e materiais inovadores, em que o (futuro) professor utiliza-se de recursos para auxiliar seus alunos a alcançar mais facilmente os seus objetivos, valendo-se de materiais que façam sentido e sejam significativos a eles, que aproximem seus alunos dos conteúdos a serem aprendidos e que os façam sentir-se motivados a aprender. As tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC) costumam ser as primeiras a serem lembradas, porque estão em evidência nas mídias, atualizam-se constantemente, têm tido uma evolução rápida e são de certa forma demandadas pelos próprios alunos. Mas esses não são os únicos recursos inovadores; muitas experiências interessantes são feitas a partir de materiais analógicos, em que o aluno é o eixo central de seu processo de aprendizagem. Este simpósio se propõe, portanto, a refletir e compartilhar estudos e práticas que discutam a aplicação de metodologias e materiais didáticos inovadores em sala de aula de língua espanhola, sejam eles analógicos ou digitais, elaborados pelos (futuros) professores com o objetivo de ajudar seus alunos atingirem uma maior proficiência no espanhol como língua estrangeira.

Palavra-chaves: materiais didáticos, metodologia, inovação,

Coordenadores: Wagner Barros Teixeira (Universidade Federal do Amazonas), Maria Cristina Giorgi (CEFET Celso Suckow da Fonseca)

Considerando a arena de poderes que envolvem as decisões políticas, Calvet (2007) afirma ser o Estado o principal articulador de políticas linguísticas. Para Oliveira (2008), a partir da Constituição de 1998 (BRASIL, 1998), o Brasil viveu uma “virada político-linguística”, reconhecendo a diversidade cultural e linguística no país. Sobre o ensino de Línguas Estrangeiras - LE, a virada se deu especialmente a partir da LDB 9.394/96 (BRASIL, 1996), determinando o ensino de pelo menos uma LE no ensino fundamental, conforme as características regionais de cada comunidade escolar. Tomando o caso do Espanhol, fica claro o posicionamento brasileiro a partir da Lei 11.161/05 (BRASIL, 2005), que determinou sua oferta obrigatória nas escolas de ensino médio em todo o país. No entanto, sua efetiva implementação nos sistemas de ensino se deu de forma morosa e, em alguns casos, insipiente. Essa situação, aliada aos interesses da atual e da última gestão do Governo Federal, permitiu que o ensino de Línguas Estrangeiras no país vivesse uma nova virada político-linguística, frontalmente oposta às conquistas obtidas a partir da LDB 9394/96. De forma unilateral, desconsiderando as especificidades regionais e deixando de ouvir vozes de atores sociais envolvidos no processo, determinou-se o bilinguismo funcional em prol de um único idioma, por meio da Lei 13.415/17 (BRASIL, 2017), representando retrocesso de décadas no processo de ensino de línguas no Brasil. Considerando importante uma visão glotopolítica do fazer político (ARNOUX, 2011) que se efetiva a partir e por distintos atores sociais e não se esgota apenas nas ações do Estado, entendemos ser necessário promover e manter iniciativas que visem ao estabelecimento do diálogo e, principalmente, ao restabelecimento das conquistas retiradas. Assim, este simpósio temático visa a manter viva uma arena de vozes em torno da atual situação política do ensino de línguas no Brasil, aberta no X Congresso da ABH, realizado em Sergipe, considerando de forma pontual o Espanhol. Serão bem-vindas propostas de pesquisadores que investiguem essas questões no intuito de responder à pergunta levantada, trazendo à arena considerações sobre a realidade do ensino do Espanhol nas distintas regiões e nos diferentes estados que compõem o país.

Palavra-chaves: Políticas Linguísticas, Glotopolítica, Ensino de Espanhol no Brasil,

Coordenadores: Natalia Labella-Sánchez (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Daniel Mazzaro (Universidade Federal de Uberlândia)

A produção de material didático faz parte da prática cotidiana dos/as professores/as de língua espanhola servindo como um instrumento organizador do conhecimento e mediador das práticas de linguagem que o/a professor/a pretende desenvolver junto aos/às estudantes. É, também, um instrumento ou recurso impresso, sonoro, visual ou híbrido com o qual ensinamos, aprendemos, praticamos ou aprofundamos um determinado conteúdo ou temática (BARROS; COSTA, 2010). Normalmente, a produção de qualquer material é permeada pelas concepções de linguagem de quem o elabora, não havendo uma regra ou um modelo metodológico a ser seguido para ensinar os conteúdos, exceto nos casos de algum tipo de prescrição quando, por exemplo, o/a elaborador/a precisa seguir determinações institucionais ou governamentais. Considerando as questões exposta e o fato de que professores/as de Língua Espanhola podem atuar em diferentes locais, com os mais variados objetivos didático-pedagógicos, este simpósio objetiva reunir trabalhos que abordem a produção de materiais didáticos para atender a demandas educativas em diversos contextos, como a educação básica, técnica, superior, cursos preparatórios e cursos livres. Serão bem-vindos trabalhos baseados em diferentes perspectivas teórico-metodológicas, preferencialmente apoiados no uso de gêneros textuais e na compreensão do ensino de espanhol como prática social, e que tenham sido produzidos e/ou aplicados para atender a diferentes propósitos, tais como formação de alunos(as) no ensino fundamental, ensino médio, educação de jovens e adultos (EJA e PROEJA), em cursos para fins específicos, em preparatórios para ENEM ou vestibular, em formação inicial ou continuada de professores(as) de Língua Espanhola, e outros contextos afins. Entende-se que a diversidade de perspectivas teóricas e contextos educativos permitirá uma troca de conhecimentos e saberes entre os/as participantes, fomentando o debate a respeito dos resultados alcançados ou que se pretendem alcançar junto aos/às estudantes.

Palavra-chaves: espanhol, material didático, práticas sociais,

O processo de ensino-aprendizagem de línguas estrangeiras está em permanente transformação, marcado por relações em rede e múltiplas conexões, e os docentes do século XXI não podem estar presos a formatos que não dialoguem com esse mundo em constante ebulição. Considerando que, atualmente, a educação se dá em ambientes presenciais e virtuais e que ela pode promover a construção conjunta do conhecimento, o intercâmbio de experiências, a educação personalizada e a participação e o empoderamento do aprendiz, várias metodologias foram surgindo de forma a se adaptar às novas formas de aprender e ensinar que caracterizam a contemporaneidade. As metodologias ativas - como a sala de aula invertida, o método do caso, a aprendizagem baseada em projetos, a aprendizagem baseada em problemas, baseada em jogos, baseada em equipes, a aprendizagem híbrida (blended learning) - são uma resposta ao impacto das Tecnologias Digitais de Comunicação e Informação (TDCI) no contexto educacional. Essas e outras tendências metodológicas passaram, nas últimas décadas, a constar com frequência nas publicações e em eventos acadêmicos, promovendo reflexões sobre a formação de professores e o lugar das tecnologias no ensino em diversas áreas do conhecimento, inclusive com relação ao ensino de línguas estrangeiras. O objetivo deste simpósio é possibilitar o compartilhamento de reflexões teóricas e práticas que apontem para o uso de metodologias inovadoras nas aulas de ELE para, assim, não só difundir os novos mecanismos didáticos adotados pelos docentes, mas também para compreender os desafios que se colocam para a formação de professores preocupados em atender as demandas da sociedade atual com relação aos novos caminhos que se abrem para o ensino presencial, híbrido e a distância.

Palavra-chaves: metodologias, tecnologia, ensino-aprendizagem, língua espanhola

Coordenadores: ANA BERENICE PERES MARTORELLI (UFPB), MÔNICA FERREIRA MAYRINK O'KUINGHTTONS (USP)
Coordenadores: Elzimar Goettenauer de Marins-Costa (UFMG), Luciana Maria Almeida de Freitas (UFF)

As pesquisas envolvendo a língua espanhola e seu ensino ganharam impulso no Brasil apenas na década de 1990 (SOTO, 2004) e se expandiram significativamente nos últimos anos, embora estivesse presente na Educação Básica brasileira, de forma intermitente, desde 1942 e, no ensino superior, desde 1939, independentemente das leis ou apesar delas (GONZÁLEZ, 2019). Partimos do pressuposto de que pensando criticamente a prática de hoje ou a de ontem podemos melhorar a próxima (FREIRE, 1996). Consideramos fundamental no atual cenário continuar refletindo sobre educação linguística, que é definida por Garcez (2008, p. 53) como a formação, em ambiente escolar, do cidadão, “um cidadão capaz de participar criticamente no mundo, apto ao trânsito nas sociedades complexas contemporâneas e preparado para o enfrentamento com a diversidade e o trânsito intercultural, ou seja, um cidadão plenamente letrado”. Desse modo, este simpósio tem como propósito reunir trabalhos sobre educação linguística e sobre formação docente em língua espanhola no Brasil e seus diversos desdobramentos. Sua primeira edição ocorreu no X Congresso Brasileiro de Hispanistas e, nesta segunda edição, busca avançar no debate. Para nortear as propostas, consideram-se pressupostos fundamentais: o texto como objeto de ensino de línguas na Educação Básica; a aula como um espaço no qual a educação linguística vai além da sistematização da língua e do desenvolvimento de habilidades de decodificação e codificação; a formação de professores como espaço de construção de conhecimentos que viabilizem os dois pressupostos anteriores. O viés teórico-metodológico que se pretende privilegiar é o da natureza discursiva, em sentido mais amplo, buscando abarcar diferentes perspectivas, como as diversas linhas de análise do discurso, inclusive sua vertente crítica, a semiolinguística, o socionteracionismo e a sociologia do discurso do Círculo de Bakhtin. Destacam-se como pontos fundamentais desses processos: o reconhecimento das práticas de linguagem como práticas sociais, marcadas por circunstâncias históricas e culturais; o entendimento de que a língua se organiza em gêneros discursivos (BAKHTIN, 2003; VOLÓCHINOV, 2017); a importância do engajamento discursivo dos estudantes em diferentes contextos e, consequentemente, da ampliação de seus conhecimentos para a construção de textos apropriados, com diferentes propósitos, segundo a diversidade das situações de interlocução.

Palavra-chaves: Educação linguística, Formação docente, Perspectivas discursivas,

Coordenadores: Jorge Rodrigues de Souza Junior (IFSP São Paulo), Antonio Ferreira da Silva Júnior (UFRJ)

Aos 12 anos da criação da Rede Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, com os seus 661 campi, este simpósio se propõe discutir diversas formas de trabalho com a língua espanhola presentes nessa rede. Pesquisas que reflitam sobre a presença dessa língua não somente na educação básica como também nos cursos superiores de tecnologia, bacharelados e de formação de professores. Cabe mencionar, também, quais práticas se consolidaram no ensino dessa língua nos cursos de Ensino Médio e Médio Integrado dessa rede, após a revogação da Lei federal 11.161/2005 (a lei do Espanhol) pela também Lei federal 13.415/2017. Esperamos trabalhos que proponham os seguintes questionamentos: que perspectivas teóricas/filosofias de ensino norteiam a prática dos professores nessas instituições? Em quais níveis de ensino o espanhol está presente e como se dá sua inserção na realidade escolar? Como a revogação da Lei do Espanhol e a BNCC afetam a manutenção e/ou implementação da disciplina? Como o espanhol está presente nos cursos superiores da rede? Como os cursos de Licenciatura se inserem e que concepções de linguagem orientam suas práticas? Esperamos também contribuir com a discussão estabelecida por Hamel (2013) sobre a imposição do inglês (e a consequente exclusão do espanhol) como língua de ciência e de circulação de saberes na educação superior, aquela como única possibilidade de internacionalização das instituições de ensino superior brasileiras. As bases teóricas que fundamentam nosso trabalho são a educação linguística crítica (TILIO, 2017), as políticas de ensino de línguas (CALVET, 2002, 2007; DEL VALLE, 2007), as concepções de trabalho docente propostas pelas Ciências do Trabalho (MACHADO, 2004; DAHER; SANT’ANNA, 2010), as teorias sobre o professor reflexivo (SCHON, 1983; CELANI, 2003), a pesquisa de cunho narrativo (MELLO, 2004; TELLES, 2002), o ensino de línguas no cenário técnico e tecnológico (ALMEIDA FILHO, 2008, 2016; SILVA JÚNIOR, 2017), o ensino de línguas para fins específicos (RAMOS, 2019), as filosofias de trabalho do professor de língua estrangeira (ALMEIDA FILHO, 2014), a legislação sobre ensino de línguas em nosso país (RODRIGUES, 2012) e as especificidades do ensino do espanhol para brasileiros (FANJUL; GONZÁLEZ, 2014; CELADA, 2002; SERRANI, 2005).

Palavra-chaves: Ensino de espanhol, Formação de professores, Educação profissional e tecnológica, Reforma do Ensino Médio

Coordenadores: Daniela Sayuri Kawamoto Kanashiro (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS), Valéria Jane Siqueira Loureiro (Universidade Federal de Sergipe - UFS )

Este simpósio pretende congregar pesquisas que discutam a formação inicial e continuada de professores de espanhol. São relevantes análises referentes às atuais políticas educacionais que afetam as licenciaturas, tais como a Reforma do Ensino Médio (BRASIL, 2017), a Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2018), a Base Nacional Comum para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica (BRASIL, 2019) e as políticas de material didático, como o programa do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) e Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE). Também nos interessam estudos que abordem impactos de programas para os graduandos de espanhol, como a Universidade Aberta do Brasil, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), a Residência Pedagógica e o Idiomas sem Fronteiras (IsF). Será igualmente pertinente a discussão de ações no âmbito da formação continuada que apresentem resultados decorrentes de programas de extensão e de cursos de especialização. A justificativa está pautada na necessidade de: avaliar como os novos documentos impactam as licenciaturas; discutir a disponibilização de material didático que apoiam a Educação Básica, especialmente a de espanhol; analisar de que forma os programas nacionais contribuem/contribuíram para a formação inicial; e evidenciar como as instituições têm consolidado a formação continuada. Objetivamos trocar experiências, estabelecer diálogo entre as pesquisas e traçar um panorama da formação inicial e continuada de professores de espanhol, além da avaliação e construção de materiais didáticos de apoio pedagógico, em contexto nacional. Estudos na área de Linguística Aplicada e de Educação podem contribuir para fundamentar análises e discussões: Alarcão (2011), Eres Fernández e Silva Júnior (2019), Ferraz e Kawachi-Furlan (2019), Freire (1979, 1996), Imbernón (2009, 2011), Rajagopalan (2003), Bacich e Moran (2017), Barbel, (2011), Pilati (2017), Mattar (2017), entre outros.

Palavra-chaves: licenciatura, formação docente, material didático , língua espanhola

Coordenadores: Carolina Paola Tramallino (UNR (Argentina) CONICET), Leandra Cristina de Oliveira (UFSC)

A presente proposta de Simpósio Temático alarga-se para o estudo de fenômenos da linguagem manifestos no uso seja em interações efetivas seja na linguagem representada (feigned orality). o Projeto CEEMO – estudios en Corpus del español escrito con marcas de oralidad  (UFSC) convida pesquisadores para a socialização e o debate de resultados de estudos sobre a variação linguística, assentados, especialmente, em postulados da Sociolinguística, dos estudos teóricos da oralidade e em diferentes abordagens dos Estudos da Tradução. Nessa diretriz, o objetivo central do simpósio temático é abrir um espaço para o debate sobre o caráter dinâmico, contextual e funcional das línguas a partir de pesquisas fundamentadas em diferentes amostras e perspectivas teórico-metodológicas que compartilham o interesse pelo tema da variação linguística. Ademais pretende mostrar que, a partir do mundo digital e das ferramentas informáticas, pode se analisar corpus do espanhol, particularmente nesta temática centra-se o Projeto “La enseñanza de español a doctorandos brasileños mediante herramientas informáticas” na Universidad Nacional de Rosario, Argentina.

Palavra-chaves: Corpus espanhol, variação linguística, ferramentas informáticas,

Estudos de linguagem

Coordenadores: Adrián Pablo Fanjul (Universidade de São Paulo (USP) / CNPq), Andréia dos Santos Menezes (Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

O simpósio se propõe a convocar propostas concebidas a partir de diferentes correntes teórico-metodológicas na análise do discurso, nos estudos do texto, e na pragmática, que incluam, de algum modo, uma perspectiva comparativa na definição de seus objetivos. Há quatro ordens de temáticas que resultam especialmente incluídas nesse escopo: 1. Pesquisas que comparam corpora em espanhol e português ou em outras línguas, assumindo como parâmetros de delimitação tipos e gêneros do discurso, modalidades de enunciação, implantação institucional e ideológica, hipóteses sobre formações discursivas, suportes, modos de circulação, tipos de ato de fala e outras unidades delimitáveis em uma perspectiva discursiva. 2. Pesquisas como as descritas no item anterior, mas que comparam corpora dentro dos espaços de língua espanhola no mundo, inclusive em perspectiva diacrônica. 3. Indagações sobre aspectos do funcionamento linguístico, em espanhol ou em comparação com a língua portuguesa ou com outras línguas, que incluam nitidamente entre seus objetivos estabelecer relações entre esse funcionamento e a referenciação no texto ou a produção de sentido no discurso. 4. Reflexões teórico-metodológicas que problematizem a própria prática comparativa no plano do discurso: pertinência de determinados agrupamentos tais como gêneros, tipos ou formações; dimensionamento do funcionamento linguístico na comparação em línguas diferentes; condições de comparabilidade entre corpora e enunciados, e outras interrogações que o pesquisador deve enfrentar ao assumir investigações como as que são objeto do simpósio. Mediante esses quatro eixos, aspira-se a promover um espaço tanto de apresentação de pesquisas quanto de questionamento epistemológico acerca de um campo de trabalho com importante desenvolvimento recente nos estudos sobre espanhol no Brasil.

Palavra-chaves: Estudos do discurso, Comparação discursiva, Categorias de análise do discurso,

Coordenadores: Vicente Masip Viciano (UFPE), Alberto Miranda Poza (UFPE)

El concepto de archifonema es fundamental en la Fonología, área de la Lingüística consolidada como ciencia por el Círculo Linguístico de Praga, especialmente a partir de autores como Trubetzkoy, Jakobson y Martinet. El archifonema es "un conjunto de rasgos distintivos común a dos o más fonemas". Ocurre cuando algunas consonantes cierran sílaba, provocando la pérdida de rasgos distintivos. El español posse cinco archifonemas: /N/ /R/ /B/ /D/ /G/ y el portugués, cuatro: /N/ /R/ /S /L/. Para ilustrar rápidamente lo que pretendemos, veamos un ejemplo del portugués: decimos "lata, litro, letra, luta", pronunciando perfectamente la consonante "l" inicial, pero esa consonante se desfigura al decir "sol, tal, final, fatal", debido a su posición en la palabra, cerrando sílaba. La reflexión sobre el archifonema es fundamental para detectar, diagnosticar y remediar la mayor parte de los problemas fonéticos que enfrentan los estudiantes de español y portugués a lo largo del proceso de adquisición de lenguas extranejras y, también, de su propia lengua materna.

Palavra-chaves: Fonología, Fonética, Ortografía, Proceso

Coordenadores: Deise Cristina de Lima Picanço (Universidade Federal do Paraná), Fernanda Castelano Rodrigues (Universidade Federal de São Carlos)

O valor social de uma língua deriva das relações de poder que se estabelecem na composição dos territórios em que circulam, servindo em muitos momentos como espaços de minorização, exclusão e desigualdade. A naturalização dessas relações, por sua vez, se vincula às condições hegemônicas de uma língua ou variante sobre outras, consolidadas em múltiplas práticas discursivas. No Brasil, a diversidade linguística que constitui a sociedade brasileira tem sido historicamente apagada pela construção de uma identidade nacional monolíngue construída em torno à língua portuguesa. Nesse sentido, as várias políticas linguísticas que marcaram a história do Estado Nacional oscilaram entre a repressão ou o apagamento da diversidade no discurso oficial. Esse silenciamento histórico resultou na ausência de políticas públicas que defendam ou garantam os direitos linguísticos dos sujeitos, em especial dos falantes de línguas indígenas, línguas remanescentes africanas e línguas de imigração. Por outro lado, tanto no Brasil como na América Latina, observamos nas últimas décadas o aparecimento de movimentos sociais que passaram a reivindicar, entre outras questões, os direitos linguísticos dessas comunidades linguisticamente marginalizadas em sua relação com a hispanofonia ou a lusofonia. Nesse mesmo período, vimos também o avanço das políticas linguísticas que pretendem favorecer uma hegemonia da língua inglesa como língua franca em toda a região. No Brasil, nos últimos anos, a aprovação das reformas que retiram direitos das classes trabalhadoras, da Base Nacional Comum Curricular e das mudanças nas políticas de relações exteriores também colocaram em cheque o espaço político da língua espanhola, em especial das variantes latino-americanas. Considerando, então, esse contexto sócio-histórico e político que incide sobre as relações entre línguas e sujeitos no espaço latino-americano, convidamos pesquisadoras e pesquisadores das diversas áreas de estudos sobre as línguas, as linguagens e as Ciências Humanas (glotopolítica, política linguística, sociolinguística, análise do discurso, enunciação, entre outros) a apresentarem propostas de comunicação que contribuam com o debate acerca dessas disputas, adesões e enfrentamentos. Esperamos receber propostas que analisem, conceitual ou empiricamente, tanto as políticas (de retirada ou garantia) de direitos linguísticos quanto os movimentos e ativismos sociais, em que sujeitos, grupos ou coletivos disputam espaços políticos e territórios em torno das línguas.

Palavra-chaves: direitos linguísticos, políticas linguísticas, ativismo linguístico, América Latina

Coordenadores: Benivaldo José de Araújo Júnior (Universidade de São Paulo), Paulo Antonio Pinheiro Correa (Universidade Federal Fluminense)

Há pouco mais de três décadas, a partir do trabalho de linguistas como Ronald Langacker, Charles Fillmore, Gilles Fauconnier, Leonard Talmy, Adele Goldberg, entre outros, a Linguística Cognitiva (LC) se constituiu oficialmente como uma nova perspectiva teórica no âmbito dos estudos da linguagem. Mesmo se tratando de uma proposta relativamente recente, a LC tem mobilizado pesquisadores em todo o mundo e, no cenário brasileiro, existem diversos grupos de pesquisa em diferentes regiões do país que desenvolvem estudos fundamentados em seu arcabouço teórico. Por um lado, constatamos que parte significativa desses trabalhos tem trazido reflexões e contribuições importantes para a descrição do português brasileiro; por outro, comprovamos que, no Brasil, ainda são poucos os trabalhos fundamentados na LC que se debrucem sobre o funcionamento da língua espanhola. É pensando nessa lacuna que propomos a realização deste simpósio temático, cujos objetivos principais são 1) propiciar um espaço de interlocução onde pesquisadores brasileiros e/ou estrangeiros discutam questões concernentes à língua espanhola do ponto de vista dos pressupostos da LC; 2) dar maior visibilidade à LC, no intuito de promover uma maior presença desse campo nos estudos hispânicos. Com base no exposto, nosso propósito é reunir trabalhos de caráter descritivo sobre questões relativas ao funcionamento da língua espanhola – em qualquer uma das suas variedades ou em comparação com outra(s) língua(s) –, cujo referencial teórico-metodológico esteja vinculado à a Linguística Cognitiva em alguma de suas vertentes: a Gramática Cognitiva, a Gramática de Construções, a Semântica Cognitiva, a Teoria dos Espaços Mentais, Metáforas e Metonímias Conceituais etc. Por fim, espera-se que este ST, além de cumprir com os objetivos acima referidos, tenha desdobramentos também no ensino e na prática docente.

Palavra-chaves: Linguística Cognitiva, Língua Espanhola, Estudos Descritivos, Gramática de Construções

XI CONGRESSO BRASILEIRO DE HISPANISTAS